Terra dos Mortos

Tão universal quanto a crença em outros mundos de deuses, é a crença de mundos com vida após a morte. O mundo dos mortos é habitado por espíritos de pessoas desencarnados. Em algumas mitologias as almas desencarnadas vão se juntar aos deuses e em outros reencarnar, retornando ao mundo mortal em um novo corpo.
Os ritos funerais já eram conhecidos até mesmo dos povos neandertais e parecem ser uma característica universal da espécie humana. O cuidadoso enterro das pessoas em posições rituais, vestidas em suas melhores roupas, acompanhadas por alimentos, pertences pessoais e outros bens tumulares implica que o morto deveria esperar despertar em outra vida além túmulo, Mais tarde caixões, sarcófagos tumbas foram criados e métodos de mumificação para preservar o corpo por toda a eternidade.
As câmaras funerais comumente tinham portas esculpidas ou pintadas nas paredes para que os espíritos passassem por elas para o mundo subterrâneo. Descrições elaboradas do que eles encontrariam naquele reino formavam a base da maior parte das religiões do mundo.
Uma das mais fortes razões para acreditar em uma vida após a morte ;e o desejo de justiça, A vida muitas vezes é injusta. Muitas pessoas boas morrem jovens ou sofrem na pobreza e na doença. Muitas pessoas más têm vidas ricas, longas e satisfatórias. A maior parte das religiões oferece uma vida após a morte que aplica a justiça não encontrada aqui nessa terra. Na ideia de julgamento final o mal será punido e o bom recompensado.

Egito e o Peso do Coração

Como escrito no livro egípcio Capítulos de Sair da Luz, muitas vezes chamado de Livro dos Mortos, o ka ou corpo astral de uma pessoa morta sai da câmara funerária e vaga na escuridão através de túneis e passagens sobre a terra. Por fim, ele entra em Amenti, a enorme sala de julgamento dos mortos. Osiris, senhor dos mortos, está em um grande trono elevado na outra extremidade. Nas mãos traz símbolos de fertilidade, um mangual e um cajado, simbolizando seu poder de restaurar toda a vida.
No centro da sala há um santuário com uma balança. O ka deve recitar 42 confissões negativas padronizadas de pecados e males que ele não cometeu em vida, dizendo antes de cada uma eu não. Essa confissão deve satisfazer os 42 juízes divinos sentados em torno de câmara, a quem o confessante se dirige, um de cada vez. Isso é feito para assegurar os deuses de que a alma realmente renasceu, transfigurada em uma pessoa que poderia ter realmente cometido aqueles pecados. Então Anubis coloca o coração do morto em um dos pratos da balança e n outro põe a pena de avestruz de Ma`at, deusa da verdade e da justiça, Toth registra os resultados.

Érebo, Tártaro e os Campos Elíseos

O terceiro irmão de Zeus e Poseidon ganhou o governo do mundo subterrâneo grego, que muitas vezes é chamado por seu nome, Hades. Sua rainha é Perséfone, que governa ao lado dele por metade do ano, retornando ao mundo superior como a donzela-flor durante a outra metade. O reino de Hades é dividido em diversas regiões, muito bem mapeadas na mitologia e reproduzidas em vários oráculos subterrâneos. Excetuando-se os poucos heróis que os deuses se dignaram a divinizar e convidar para o Olimpo, todos os que morreram na terra descem ao mundo subterrâneo. Os mortos ainda podem comer, beber, falar e ter emoções. Todavia, seus corpos não são mais do que vultos; por isso, são chamados de sombras.

A entrada do mundo subterrâneo fica no oeste e é separada do mundo dos vivos por diversos rios. O primeiro deles é o Rio Aquente, rio da angústia, através do qual os novos mortos são transportados por Caronte, o barqueiro. Ele exige o pagamento de uma passagem de duas moedas que foram postas sobre os olhos de cada cadáver. Quem não puder pagar a taxa deve vagar pela margem por cem anos. O Aqueronte encontra o rio Estige, às margens do qual os deuses fazem juramentos indestrutíveis.

Ao desembarcar do bote de Caronte, os mortos entram na região do Érebo. Ali eles atravessam Lete, o rio do esquecimento. Se beberam de suas águas negras, são aliviados de seus feitos vergonhosos, mas perdem todas as lembranças de sua vida passada. Por fim, as sombras chegam ao portões do palácio de Hades. Eles são guardados pelo cão de três cabeças Cérbero, que saúda todos os recém chegados alegremente, mas se recusa a deixa-los sair. O sombrio Hades e a severa Perséfone sentam-se em seus grandes tronos, em meio à profusão de ouro e joias nas profundezas da terra.

No salão de Hades, os mortos são julgados pelo Rei Minos, Radamanto e Éaco, que decidem para onde cada um deles deve ir. Os heróis e pessoas boas que fizeram coisas maravilhosas na vida vão para os Campos Elíseos. É um lugar de eterna bem-aventurança em que não são reunidos com seus entes queridos. As almas que são boas o bastante para o Elísio são enviadas aos Campos de Asfodel, por onde vagam sem pensamento e sem sentimentos, como zumbis. As pessoas que foram particularmente más na sua vida, como Tântalo, Sisifo e Ixião, são enviadas ao Tártaro para suportar uma eternidade de punição ironicamente apropriada. 

O Tártaro é a parte mais profunda e mais antiga do Mundo Subterrâneo, tão distante da terra quanto o céu. ë um poço escuro e úmido ladeado por um poço escuro e úmido ladeado por um muro de bronze e, além desse muro, uma camada tripla de noite. O Tártaro é a prisão dos titãs derrotados, que são guardados pelos hecatônquiros de cem mãos. O Cocito, o Rio das Lágrimas, e o Flegeton, o rio do fogo, rodeiam o Tártaro e desembocam no Aquente.

Annwfn e a Terra do Verão

Annwfn, o outro mundo celta, é como um arquipélago de ilhas separadas em um mar místico. Nelas, há muito seres diferentes, deuses e espíritos, assim como os mortos. As três principais regiões são Caer Wydyr, Caer Ferddwid e Arram. Caer Wydyr é o local escuro e sombrio habitado apenas pelas almas perdidas silenciosas. É o local menos desejável para ir parar depois da morte. Cair Feddwid é regido por Arianhod da Roda de Prata. O ar está cheio de música encantada e uma fonte corre com vinho mágico que concede a eterna juventude e a saúde. Aram é uma terra de verão eterno, com campos relvados e rios delicados. Em Arram fica o caldeirão de abundância, que é ligado ao Santo Graal. Apenas os puros de coração têm a permissão de entrar ali. Esta é a terra do verão mais identificada com a wicca moderna.

Diferentes deuses ou senhores governam as várias regiões nacionais do outro mundo celta. O mais antigo deles é Cernunnos, que governa todos os mortos celtas. Ele também é conhecido como Herne, o caçador, que lidera a caça selvagem na noite de Samhain. Um deus caçador semelhante é Gwynn, que caça almas, reclamando-as para Annwfn. Donn é o deus irlandês dos mortos. Seu reino é uma pequena ilha rochosa na costa sudoeste da Irlanda chamada Tech Duinn, onde ele recebe seus descendentes, o povo da Irlanda, quando eles morrem.

Pywll era um príncipe galês que por acasso encontrou Arawn, rei de Annwfn, e ambos concordaram em trocar de reino por algum tempo no corpo um do outro. Governaram bem as terrasum do outro e ficaram muito felizes com o acordo depois do fim do prazo. Mixer é um bondoso deus do outro mundo gaélico. Sua esposa é Etain. Ele é um suserano justo, cujo reino é um local de tedio e pesar, e não de dor e tortura. Bilé, no entanto, é um governante malvado, cujo reino é um enorme deserto de espíritos esmagados e corpos quabrados, os quais lhe devem prestar eterna homenagem. Bram foi um herói mortal na mitologia galesa. Ele enfureceu os deuses, foi decapitado e depois banido como punição. O reino de Bran é cheio de heróis derrotados que devem passar a eternidade lamentando-se.

Valhala 

No norte, as crenças a respeito da vida após a morte variavam dependendo da época e do lugar. Havia várias opções. Os ferozes heróis vikings que morriam na batalha eram recebidos por uma das Valquírias, ou escolhedoras dos assassinados. essas lindas donzelas guerreiras cavalgam pelo ar e sobre o mar em cavalos voadores,a acompanhando o progresso de todas as batalhas. elas beijam os heróis caídos e levam sua alma ao grande palácio de Valhalla de Odim. Ali os guerreiros passam seus dias reproduzindo a luta das gloriosas batalhas em que morreram e assim obtêm a fama eterna. Todas as noites eles se banqueteiam com javalis selvagens e bebem hidromel para alegrar seu coração. as mulheres que morrem vão para o palácio de Freya. Acreditava-se que os reis vivessem em seus montes funerários, onde recebiam oferendas e abençoavam seu povo. Algumas famílias viviam dentro das colinas sagradas e outras continuavam a proteger seus descendentes como espíritos guardiões alfar e dissir.

Todavia, o destino padrão era Hel, que era o lar geral dos ancestrais. Como a maioria dos lugares, tem bons e maus vizinhos. O salão em que Balder se banqueteia é alegre, cheio de cerveja e hidromel. Entretanto, a parte chamada Nastrond é uma terrível prisão para aqueles que desobedecem a juramentos e a outros criminosos; suas paredes são feitas de cobras cujo veneno corre pelo chão. Essas região é governada por Hella, filha do trapaceiro Loki e da giganta Angurboda, e a irmã do Lobo Fenris e da Serpente de Midgard. Ela é tão abaixo de Midgard que o cavalo de oito pernas de Odim, Sleipnir, leva nove dias e noites para chegar. É rodeado de todos os lados pelo Rio Gioll por paredes escarpadas impraticáveis para os vivos. Helô fica do outro lado da traiçoeira ponte Echoing, onde as almas que tentam atravessar são desafiadas pela giganta Modgudh. A pestilenta entrada Gnipahelli é guardada pelo feroz cão Garm. Entretanto, há outro portão a leste, pelo qual Odim entra para pedir profecias aos espíritos da antigas videntes.


Céu, Inferno e Purgatório

A igreja católica romana ensina que h;a duas vidas possíveis após a morte. Quase todos passarão a eternidade no céu ou no inferno. O céu é um paraíso sétuplos de eterna alegria e bem-aventurança, nascida da proximidade de Deus e os anjos. O inferno é um poço flamejante de eterno tormento e punição, governado pelo diabo e cheio de demônios que eram originalmente anjos rebeldes decaídos há muitos séculos depois de perder a grande guerra.

O destino de cada um é determinado por sua situação de salvação no instante da morte. Acredita-se que os recém-nascidos estejam afligindos pelo pecado original. Uma criança pode ser redimida desse estado pelo rito do batismo, concedido pela benevolência da igreja. Logo que uma pessoa atinge a idade de responsabilidade, qualquer pecado mortal por e fazé-la perder a salvação e ela será enviada ao inferno. Porém ao confessar os pecados a um padre a salvação é recuperada.

A alma das crianças que morreram antes da idade de responsabilidade, bem como as pessoas merecedoras que no foram batizadas, vão para o limbo. Ali elas deverão esperar o juízo final onde serão admitidas no paraíso.

Os santos e aqueles que atingiram a perfeita piedade vão direto para o céu. Mais a maioria das pessoas vai primeiro ao purgatório, onde são sistematicamente torturadas com fogo até que estejam purificadas o bastante para entrar no céu. As pessoas que cometeram pecado mortal e as que rejeitaram a Deus vão direto para o inferno, onde serão torturadas por demônios eternamente.

O inferno católico é um enorme poço com nove anéis concêntricos descendentes, e os condenados são enviados para os diferentes níveis de punições de acordo com os seus feitos. A principal cidade do inferno é chamada Pandemônio.

Outra dissidências cristãs apresentam variações dessa versão de vida após a morte, mais quase todas incluem o conceito de inferno contra paraíso. A maioria porém não falam em purgatório e consideram o céu como uma cidade de ouro com uma mansão para cada pessoa.

Outros Mundos Após a Morte

De acordo com o Alcorão, o paraíso é apenas para homens muçulmanos devotos. É um esplêndido oásis, com jardins, rios e árvores. Os homens usam manto de seda e se deitam em luxuosas almofadas, com frutos e vinhos suculentos. Grupos de lindas mulheres de olho negro e sem alma servem eternamente aos prazeres dos fiéis. Todas as outras pessoas são atiradas ao inferno e as mulheres muçulmanas que eles acreditam não eram alma simplesmente morrem.

Tamnto para o budismo quanto para o hinduísmo os diversos reinos da vida após a morte são esta’gios do infinito círculo de nascimento, morte e renascimento que a alma deve atravessar em sua evolução espiritual para poder escapar da roda das encarnações. Após cada morte a alma vai para um paraíso ou inferno correspondente ao mérito que teve em vida, para poder refletir sobre o que fez e posteriormente reencarnar em outra vida.

O Livro dos Mortos tibetano diz que após a morte cada alma se apresentará ao Yama, Senhor dos Mortos, que segura um espelho no qual os feitos da pessoa na vida são refletidos. O espelho de Yama é a memória da própria alma e o verdadeiro julgamento do morto. Cada pessoa pronuncia seu próprio julgamento determinado assim sua próxima encarnação.

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