Oroiná

Uma criação do Escrito Rubens Sarraceno, um orixá ancestral do candomblé ou uma qualidade de Yansã, que seria Oroiná ?

O nome Oroiná pode ser traduzido como chama purificadora ou fúria de fogo, embora não estejamos certos da exatidão dessas traduções.

Oroiná é uma das mães primordiais e a orixá regente do fogo ancestral e da justiça divina.

Se analisarmos os cultos primitivos, anteriores a 3.000 a.C. vamos verificar que a adoração era voltada aos elementos da natureza, no caso o fogo, sendo que Oroiná é a evolução desse culto, ou desse aspecto da natureza, e seu mito representa a forma com que lidamos com esse elemento e os efeitos que sua regência pode causar em nossa existência.

No candomblé é considerada a mãe ancestral de Aganju e Xangô e seus pontos de força são os lugares de onde emana o calor da terra, como vulcões ou fontes termais, conhecida também como Igbalé ou Ekunin.

Em muitos cultos afros, Oroiná é o orixá que faz a purificação dos centros e terreiros, bem como a purificação das casas e das pessoas. O melhor dia pra a realização desses rituais é a quinta-feira.
A

ssim comoComo Oguz, Oroiná atua no trono da lei, é uma agente ativa da lei que consome os vícios e desequilíbrios dos seres mentalmente desviados.

Pois os vícios e desequilíbrios além de perturbarem e destruírem aqueles que os possuem, pode afetar as pessoas que o cercam, aonde entra a ação de Oroiná.

Na teogonia dos orixás ela pode fazer par ora com Ogum Wari, ora com Xangô, e também com Odé, oscilando entre os tronos da lei a da justiça, como iansã.

No Sincretismo

Sua imagem é sincretizada geralmente com Santa Brígida ou Santa Sara Kali, em alguns casos também é representada como Nossa Senhora das Candeias, pois candeia é uma lamparina pequena que representa o fogo.

Também o culto a Santa Sara Kali está ligado a divindade Kali da Índia, que representa o fogo destruidor, essa ligação se dá devido ao sincretismo da religião cigana com o catolicismo.
Oroiná

Esse sincretismo com a religião hindu é mito bem aproveitado pela umbanda sagrada e dá margem a um paralelismo entre a relação da deusa Kali com o deus Agni, Kali é temida pelos hindus, pois é a portadora do fogo consumidor de todos os vícios e exageros, assim como Oroiná e Agni é o portador do fogo divino, renovador da vida, assim como Xangô.

O Culto na Umbanda

Na umbanda sagrada, corrente de umbanda criada pelo escritor Rubens Saraceni, o fogo elemental de Oroiná é o elemento consumidor de todos os vícios e excessos, auxiliando o crente desvirtuados e desequilibrados a se aproximar da justiça divina.

É na umbanda sagrada que Oroiná é fundida com Egunitá e passa a ser cultuada como um orixá em separado, assumindo a polaridade negativa do trono da lei, juntamente com Oguz que representa o trono ativo.

Nos cultos umbandistas mais tradicionais Egunitá é vista apenas como uma qualidade de Yansã, vestida de rosa e não como um orixá distinto, egunitá significa Senhora dos Eguns, aquela que conduz os espíritos dos mortos para a sua morada.

Uma referência é a obra do Professor Jose Ribeiro, dirigente do centro Palácio de Egunitá, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Em muitos autores antigos não se encontra referência a esse orixá sendo cultuado de forma separada, como Altair Pinto, Antônio Alves e Atila Nunes, também não se encontra referência em W. W. da Mata e Silva, em seus escritos sobre umbanda sagrada.

Nos registros históricos, os centros de umbanda mais antigos não rendem culto a Oroiná e nem a Egunitá, como a Tenda do Caboclo Mirim ou a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Conclusão

Mesmo sendo um culto tardio introduzido tardiamente na umbanda e popularizado pelo escritor Rubens Sarraceni, ou um orixá ainda desconhecido dos estudiosos, não se pode negar a regência do elemento fogo e seus aspectos sobre a existência humana, sendo o orixá uma forma arquetípica que estreita a nossa relação com esse elemento.

O arquétipo ou mito da mãe do fogo primordial nos auxiliar a lidar com a anulação dos nossos vícios e excessos, consumindo e transmutando o que há de errado em nossa existência, facilitando o caminho de nossa evolução.

O fato de ser orixá feminino também se justifica, por ser o polo negativo do trono da lei, regido por Ogum, que também é o orixá do fogo na maioria das tradições afro-brasileiras.

Referências

CUMINO, Alexandre. Deus, “Deuses” e Divindades. São Paulo, Madras, 2004.
RIBEIRO, José. As festas dos eguns. Rio de Janeiro: Eco, s. d.
SARRACENI, Rubens, Teogonia de Umbanda Sagrada, Madras

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