Mortos Que Andam na Indonésia

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“Encontrei essa foto na internet e queria saber um pouco dela já que está na cara que se trata de uma farsa,aqui vai a história : Na Indonésia (especialmente em Toraja), um cadáver é acordado deixando-o que ande a pé até seu túmulo (é raro, mas ainda é realizado). O cadáver é acordado usando magia negra. Isso é feito em Toraja porque as sepulturas/cemitérios são colocadas em montanhas calcárias (o que conserva melhor os corpos). O corpo anda por si só, e é orientado por um especialista em magia negra que fica atrás dele. Mas existe uma proibição: o cadáver não deve ser nomeado. Uma vez que comandado o cadáver cai e não é capaz de andar novamente.”



No dia 1o de setembro de 2010, recebemos e-mail que mostrava uma fotografia muito assustadora. A fotografia é a que está logo acima. Ao que parece, trata-se de uma morta-viva andando! Não aparecem marcas de fotomontagem ou qualquer outro tipo de falsificação. Verdade ou Mentira ?
Essa história começou a circular pela internet desde agosto de 2010 e conta que em Toraja – na Indonésia – os mortos caminham de verdade pelas ruas. O texto acima vem acompanhado da foto no topo do artigo.Pelo que tudo indica, trata-se de umacaso de zumbi.
Zumbis, de acordo com as lendas que os cercam, são vítimas da tetradoxina, um composto de: veneno de peixe, veneno de sapo, ervas e secreções de cadáver em decomposição, seguidos de palavras e encantamentos bruxescos.
Essa substância na verdade é uma toxina produzida nas gônadas (órgãos que produzem as células sexuais)e outros tecidos viscerais de alguns peixes da classe Tetraodontiformes, à qual pertencem o peixe fugu japonês ou baiacu. Esta toxina e a saxitoxina são dois venenos dos mais potentes conhecidos, sendo a dose letal mínima de cada uma delas, no camundongo, de aproximadamente 8 ug/kg. São fatais para o homem. Ocorre também na pele de salamandras aquáticas, bodião, sapo Atelopus (da Costa Rica), determinados polvos, estrela-do-mar, anjo-do-mar, porco-espinho e caranguejo xantídeo.
O primeiro sintoma de envenenamento é uma dormência/paralisação dos lábios e da língua, que aparece entre 20 minutos a 3 horas depois da ingestão do baiacu. O sintoma seguinte é o aumento de parestesia de face e extremidades, que pode ser acompanhada de sensação de leveza ou flutuação. Dor de cabeça, rubor facial, dor epigástrica, náusea, diarreia e ou vômito podem ocorrer. Dificuldade para andar pode ocorrer nessa fase que evolui para o aumento da paralisia, com dispnéia (dificuldade de respirar). A fala é afetada e a pessoa envenenada apresenta comumente cianose (cor arroxeada) e hipotensão, com convulsões, contração muscular, pupilas dilatadas, bradicardia (batimentos lentos do coração) e insuficiência respiratória. O paciente, embora totalmente paralisado, permanece consciente e lúcido até o período próximo da morte. O óbito ocorre dentro de 4 a 6 horas, podendo variar de cerca de 20 minutos a 8 horas.
Zumbi (do termo kongo nzambi, significando fantasma)na cultura haitiana era o indivíduo a quem foi administrada uma droga que induz a um estado próximo ao da morte, e que um feiticeiro vodu exuma para colocá-lo a seu serviço.
O processo de zumbificação equivale a uma condenação: segundo a lenda, existia no Haiti o costume de desenterrar as pessoas para transformá-las em zumbis que se tornam escravos de quem os zumbifica. O zumbi, segundo Laënnec Hurbon (Doutor em Teologia e Sociologia – um dos mais brilhantes intelectuais do Haiti), é um indivíduo mantido em estado letárgico. Após sua morte, é retirado do cemitério, passando a trabalhar como um escravo para seu proprietário nos campos de cana ou em outros trabalhos. Alguns relatos dão conta de que às vezes pode ocorrer que saiam do estado cataléptico e de total submissão a seus amos, que voltem ao lugar onde estão suas tumbas, que escavem e regressem definitivamente ao reino dos mortos.
Nas lendas podia-se acreditar que os zumbis eram almas penadas, ou seja, aqueles que voltam da morte, ou que sejam apenas doentes mentais que o imaginário popular, em uma sociedade de cultura predominantemente oral, toma por zumbis.
Mas e o zumbi da foto?
Das várias versões que acompanham a fotografia, o que se diz basicamente é que, por meio de magia negra, os corpos viram zumbis e saem de suas tumbas, andando – como quem não quer nada!
Mais um detalhe: ninguém pode chamar o defunto pelo nome sob o risco de o morto cair no chão e não se levantar mais!
O que há de verdade nessa história?
Não há nenhuma indicação de que a imagem tenha sido alterada! O que não significa, necessariamente, que ela seja real! Pode-se mentir em uma fotografia sem o recurso da manipulação digital.
O SITE Extraordinary Intelligence levanta a hipótese de que a mulher que aparece na foto pode, na verdade, estar viva e sofrendo de alguma doença – como a lepra (hanseníase). Os argumentos: Como os caixões são muito estreitos, seria impossível as mãos da morta estarem cruzadas daquela forma. A cabeça caída para frente demonstra também que o corpo teria ficado repousado em algum travesseiro muito alto, diferente do caixão mostrado à direita na foto!
A cerimônia
Tana Toraja é o nome de uma região que fica na ilha de Sulawesi, na Indonésia. Há muitos e muitos anos seus moradores acreditam que, quando alguém da família morre, esse ente é levado para o céu e lá é julgado. A crença local também prega que o morto só se dá bem em seu julgamento lá no céu se ele tiver sido bem sucedido em vida!
O “sucesso” do falecido é medido pela quantidade de espíritos de animais que o levam até o céu. Por isso, nos meses de julho e outubro, acontecem as cerimônias fúnebres, onde são sacrificados muitos animais em nome de cada um dos mortos.
Segundo o jornal Singapore News Online, as famílias só poderão participar dos funerais em Tojara quando já possuírem dinheiro suficiente para toda a cerimônia. Só para se ter uma ideia, animais que serão sacrificados, como búfalos, chegam a custar mais de 3 mil dólares!
A Chefe de cozinha, Barbara Kerr – em visita à Toraja – conta em seu site pessoal:
“Na cidade de Rantepao, a maior de toda a região, existe um grande mercado de animais para serem vendidos com esta finalidade. Lá, porcos ficam amarrados por dias, em macas de bambu, com cordas super apertadas por todo o seu corpo, e já prontos para serem levados para o abate. Grunhem sem parar, e o som emitido por eles mais parece ao de um campo de tortura. É bem triste de se ver, pois se estes mesmos porcos não têm escapatória, que ao menos pudessem passar seus últimos dias de vida com um pouco menos de dor e de sofrimento. Entretanto, para os moradores locais, tão habituados com tudo isso, eles não passam de mais um pouco de proteína.”
De acordo com o relato de Barbara Kerr, o funeral pode durar apenas algumas horas ou se estender por vários dias, regado a danças, comilança e o abate de muitos animais.
Cerimônia do funeral
O site Today 24 News, também conta que a cerimônia fúnebre em Tojara é, sem dúvida, o evento mais caro e complicado da região. A maioria das famílias (quase sempre é pega de surpresa com a morte do ente) pode a demorar até 5 anos para juntar o dinheiro necessário para o ritual e, enquanto isso, os defuntos ficam guardados, esperando…
Os corpos são envolvidos em várias camadas de pano e guardados dentro das Tongkonan, que são residências provisórias criadas para esse fim.
Métodos de sepultamento:
O site Toraja Cyber News explica que há 3 métodos de sepultamento: No primeiro – que é o mais simples e barato -, o caixão pode ser colocado em uma caverna. No segundo método, é esculpido um túmulo de pedra e o terceiro método consiste em pendurar o morto em um penhasco. É interessante ressaltar que o falecido leva consigo tudo o que, segundo a crença, ele irá precisar em sua outra vida. Se a pessoa que morreu é de família rica, será enterrado em um túmulo de pedra esculpida ou será pendurado um penhasco rochoso. A construção do túmulo também é demorada e, por isso também, o defunto só é transferido para a sua morada muito tempo depois (às vezes, demora-se anos!).
E o morto da foto está andando? Não, ela está sendo carregada.
Há muito tempo atrás, quando o acesso às aldeias de Toraja eram escassos e os povos locais tinham pouco (ou nenhum) contato com o resto do mundo, havia a lenda de que o morto levantava do seu túmulo provisório e saia andando para sua morada definitiva. No entanto, isso nunca foi documentado. No caso da fotografia que está circulando pela internet, o seu autor, diante de um episódio tão peculiar, poderia ter tirado outras fotos ou, quem sabe, até filmar o acontecido. Podemos ver que havia um celular apontando para o fenômeno, no canto esquerdo:
Também, segundo a lenda, o morto não deve ser tocado, chamado pelo nome ou encarado diretamente. Na imagem, pode-se ver que a senhora estava sendo amparada pelo braço.
Corpo sendo amparado pelo familiares
Ainda, de acordo com o Toraja Cyber News, essa prática da caminhada com os mortos caiu de moda há anos. Hoje em dia, os corpos são levados de carro.
A história é FALSA! A cerimônia com os mortos existe, mas não há nada de zumbis e defuntos que andam.

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