Jerônimo de Praga – reformador e amigo de Huss

Foi um reformador da república tcheca e amigo devotado de Jan Huss, que entre outras coisas deu continuidade ao trabalho iniciado pelo amigo. É difícil falar do trabalho de Jerônimo de Praga sem citar o amigo Jah Huss, pois os dois começaram juntos o movimento reformado da Igreja da Boémia, chamado guerras hussitas.

As origens

Nascido em Praga, no ano de 1379, em uma família rica daquela cidade. Formou-se bacharel em teologia em 1398 na Universidade de Praga e após isso foi viajar pelo mundo. Entre os lugares que visitou estava a Universidade de Oxford, onde teve contato com a obra de John Wycliffe, que estudou e traduziu para o tcheco, mais especificamente os livros dialogus e trialogus. Esses discursos de Wyclife diziam que a igreja não ncessitava de novas doutrinas e que eram suficiênte os ensinos dos três primeiros séculos da igreja, também defendia que as ordens monásticas não eram sustentadas pela bíblia e era contra a propriedade privada, isso influênciou muitas insurgensões, inclussive a que aconteceu na Boêmia. (Inácio, 145).

Em 1403 visitou Jerusalém, e em 1405 estudou na Universidade de Paris, onde concluiu seu mestrado em artes (LIBERA,475), também obteve grau de mestre na Universidade de Colônia e também na Universidade de Heidelberg, ambas na Alemanha, no ano de 1406.

Por causa de suas idéias foi banido da Universidade de Paris, pricipalmente por sua doutrina dos universais, um dos motivos que gerou também sua condenação no concílio de Constança.

A Reforma Religiosa

Em 1407, ao volta para a Inglaterra, onde fica por pouco tempo e retorna a Praga. Suas idéias nacionalistas começam a render-lhe perseguições por parte da igreja católica.

Jerônimo foi o principal divulgador das ideias de Wycliffe em Praga, o que impressionou profundamente Jah Huss.

Em janeiro de 1410 faz um pronunciamento em favor das idéias de Wycliffe, o que provocou sua prisão em Viena, devido a uma bula papal emitida em março de 1410, contra os escritos de Wycliffe, também foi excomungado pelo bispo de Cracóvia.

Conseguindo fugir de Viena, volta a Praga, onde passa a pregar abertamente contra a igreja católica, defendendo a reforma iniciada por Jah Huss.

Em 1413 visitou as cortes da Polônia e Lituânia, para divulgar suas ideias, onde dizem que causou boa impressão.

O Concílio de Constança

Em outubro de 1414, segue Jah Huss até o concílio de Constança. Apesar das recomendações de que não fosse.

Chegando lá é preso sumariamente e envaido a Sulzbach, e depois enviado a Constança em maio para ser julgado.

Foi julgado sem oportunidade de defesa e maltratado durante vários dias na prisão, onde passou a pão e água.

Com a saúde abalada, escreveu cartas de retratação aos reis da Boémia e ao reitor da Universidade de Praga, declarando que eram justas as condenações de John Wycliffe e Jah Huss. Isso lhe rendeu a liberdade provisória e a diminuição de sua pena.

Em maio de 1416, foi a julgamento de novo, e voltou atrás de sua retratação, dessa vez foi condenado a fogueira. As acusações proferidas contra ele foram : ridicularizar a autoridade papal, opositor de Deus, inimigo dos cardeais, perseguidor dos padres e perturbador da religião.

Foi lhe concedido dois dias para se retratar, mais o mesmo não volto atrás, nesse tempo o cardeal de Florença tentou persuadi-lo mais sem êxito.

Como não era padre não puderam lhe impor todo o ritual de humilhação sofrido pelos outros hereges, pois foi entregue a autoridades seculares. Porêm lhê colocaram uma coroa com três demônios pintados. Ao ver a coroa proferiu as seguintes palavras :

“Nosso Senhor Jesus Cristo, quando sofreu a morte por mim, um pecador mais que miserável, levou sobre Sua cabeça uma coroa de espinhos; por amor dEle levarei eu esta coroa”.

Em 30 maio de 1416, foi queimado na fogueira.

O Legado de Jerônimo

Sua morte e de Jah Huss, fez inflamar um forte movimento nacionalista da república tcheca, chamado de guerras hussitas.

Bibliografia:

LIBERA, Alain de., A Filosofia Medieval – Edições Loyola, 1993.

INÁCIO, Fábio Gardenal, As Mentiras Maçônicas e Eclesiásticas – Volume I,

FOX, John – O Livro dos Mártires.

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